TRAJÉDIA
Tudo era belo como o céu,
meu respirar, meu pensar, meu escrever,
minhas palavras sempre doce feito mel,
era um gosto pra quem quisesse ler;
hoje já não há mais melodia,
não há palavras, nem sentimentos,
só há em mim horrenda melancolia;
dor saudade e sofrimento;
o que tenho hoje no meu peito
é um coração descompassado,
um pobre orgão triste e sem jeito,
que já senil das palavras, bate desolado;
tento paliar-me, mas é inútil,
pois quanto mais me adorno,
mais torno-me fútil,
fico ainda mais distante e sem retorno;
levaram de mim a poesia,
o meu prazer de todo momento,
levaram de mim a alegria
e estão levando também o meu alento;
por isso...
neste verso deixo o meu ultimo suspiro,
porque as palavras já se foram por completa,
e agora então sugiro,
que morra também esse poeta!
Rodrigo Dias
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